25 de ago de 2009

Orozco: 4ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul















O artista mexicano José Clemente Orozco inscreve-se desde o princípio contra o bom-gosto perpetuado pelas academias. Percebe a extrema singularidade das gravuras de José Guadalupe Posada, que parecem germinadas diretamente da terra.
Orozco desdenha o beneplácito das ideologias, tem uma concepção límpida da história: um mar de sangue, de injustiça, repleta de som e fúria. Por isso, o cataclismo lhe é familiar: Los muertos funciona como uma paisagem bucólica às avessas, prédios desmoronando, sólidos em turbilhão. Nessa distorção universal, brotam elementos robustos ao lado de ectoplasmas como em La casa blanca.
No painel Piel en azul, da coleção do Instituto Cultural Cabañas, em Guadalajara, a tinta sintética obedece à ordem da decomposição do corpo humano, pelo pecado de não se submeter à forma retangular do suporte. O tronco e os membros resplandecem em uma pintura corporal digna da cerâmica asteca, a cabeça decepada duplamente, de face e de perfil, pertence a um universo em que os cultos sacrificiais permeiam o cotidiano. Tudo é feito levando-se em conta os vazios intervalares que mobilizam a figura retalhada da integridade física e, no entanto, resplandecente pelo emblema tribal.

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